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TUDO COMEÇOU PELA BUSCA DO BEM-ESTAR COMUM
A semente do sistema econômico do Cooperativismo foi lançada em
dezembro de 1844 por um grupo de 28 tecelões da cidade de Rochdale,
na região de Manchester, na Inglaterra. Inconformados com o
progresso das fábricas e seus lucros, enquanto os operários
enfrentavam longas jornadas de trabalho e baixa remuneração, esse
grupo decidiu ajuntar, por mês, uma libra cada um e fundar uma
cooperativa.
A "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale" surgiu pela
necessidade de atuação no mercado, não visando o lucro, mas sim o
bem-estar daquela comunidade. O grupo desejava uma vida mais digna
como pessoas e acreditava que isso seria possível. Com cuidado,
planejaram tudo. Abriram um armazém cooperativo com gêneros de
primeira necessidade e idealizaram uma série de procedimentos para
ocupar mão-de-obra desempregada, para organizar a produção e
distribuição de bens, para comprar e adquirir casas e educar os
associados dentro do espírito cooperativista.
Os comerciantes locais, mesmo curiosos e preocupados com a possível
concorrência, não acreditaram na idéia daqueles tecelões. Porém, no
final do primeiro ano de atividade, o capital integralizado daquela
primeira cooperativa de consumo havia evoluído de 28 para 180
libras. Dez anos depois, o número de associados chegava a 1.400 e o
exemplo daqueles 28 tecelões era copiado em vários países da Europa,
avançando pelo mundo afora.
O cooperativismo de crédito tem origem nesta época. As poucas casas
bancárias reservavam crédito apenas para industriais e comerciantes
de porte. Projetos pessoais ou modestos não prosperavam por falta de
crédito. Foi quando na cidade de Delitzsch, na Alemanha, o juiz
Herman Schulze reuniu pessoas mais pobres e interessadas num negócio
em que todos fossem co-responsáveis. Fundou, então, a cooperativa de
crédito Schulze-Delitzsch, plenamente adaptada às possibilidades e
necessidades de pequenos empresários e comerciantes urbanos.
Ao mesmo tempo, também na Alemanha, o servidor público Friedrich
Wilhelm Raiffeisen, dotado de grande humanismo, procurava uma
solução para que os camponeses tivessem acesso ao crédito. Após
experiências filantrópicas, ele adaptou o modelo Schulze-Delitzsch
às necessidades dos homens do campo. Dos sócios, eram exigidos
honradez, honestidade e boa reputação.
Na Itália, Luigi Luzzatti implementava um exemplo semelhante,
valorizando o senso de responsabilidade dos sócios e reforçando a
idéia da ajuda mútua, da solidariedade. Avançando, as práticas do
Cooperativismo chegaram às Américas. Inicialmente pelo Canadá, onde
Alphonse Desjardins fundou a primeira cooperativa de crédito mútuo,
envolvendo pessoas de uma mesma categoria profissional.
No Brasil, o movimento teve início também naquela época, quando um
grupo de europeus criou a colônia Tereza Cristina no interior do
Paraná, organizada em bases cooperativistas. No começo do século XX,
o padre jesuíta Theodor Amstad, vindo da Suíça para atuar junto a
colonos do Rio Grande do Sul, implantou em Nova Petrópolis (RS), as
Caixas de Crédito Cooperativo ou Caixa de Economia e Empréstimos
Amstad, considerada por estudiosos como a primeira cooperativa de
crédito da América Latina. Toda movimentação financeira ocorria por
meio de depósitos, que recebiam uma pequena remuneração. O
Cooperativismo de crédito dava ali o seu primeiro passo no País.
A partir de1920 avançou pouco e evoluiu bastante entre 1930 e 1940.
Na década de 50 experimentou um grande avanço. Mas no final desse
mesmo período, regrediu novamente, em decorrência de má gestão.
Administradas por pessoas sem compromisso com ninguém, muitas
cooperativas encerraram suas atividades. Na década de 80, o
cooperativismo de crédito retoma seu fôlego e a partir daí alcança
um desenvolvimento notável, tanto no meio rural quanto no urbano, a
exemplo da COOPSEF. |